Gian Carlos Poleto
Histórias da minha Juventude
Produção Premiada em 2008. Para segunda Fase em São Paulo e também para Brasília com outra produção que também se encontra neste Blog.
Histórias da minha Juventude
Antigamente tínhamos uma vida sofrida, com muito trabalho pesado. Levantávamos cedo para cultivar a terra lavrando com boi ou cavalo de arado. Capinávamos com enxada as nossas roças novas e plantávamos de tudo principalmente o milho.
Cozinhávamos feijão, arroz de pilão, canjica de trigo socada no pilão _ que trabalho _, fritávamos a carne de porco para guardar em latas de banha _ hoje não se faz mais isso, existe eletrodoméstico para facilitar _. Cozinhávamos tudo no fogão de chapa. O que comprávamos em armazéns era apenas sal, açúcar e querosene e o restante tinha em casa tudo natural.
Naquela época as primeiras moradias eram casas de tábua de tábua com piso de chão batido, colocadas sobre cepos e cobertas de tabuinha. Não tinha ruas muito menos praças. Os homens faziam mutirão e arrumavam as estradas. Nós não destruíamos a natureza _não como se vê hoje_ apenas derrubávamos matos para fazer roças e para lenha.
Na escola tínhamos que decorar um livro. Estudávamos todos na mesma sala com um só professor. Tínhamos medo dos castigos como palmatória e joelho no milho por isso respeitavam muito os professores. Escrevíamos em uma pedra com um giz e para apagar usávamos um pano. Não tinha cadeira sentávamos todos em um banco.
Brincávamos de passa-passará, jogos com bola, barra manteiga, esconde – esconde... As brincadeiras eram mais saudáveis, diferentes das atuais.
Antigamente as mulheres faziam roupas para toda a família. As mulheres usavam vestido comprido e calça não usavam. Os homens usavam calça ou quilote e nos pés calçavam um tamanco de madeira com um couro por cima.
O namora antigamente era bem diferente de hoje, pois os pais nunca deixavam os namorados sozinhos, muito menos sair de casa. O rapaz vinha na casa da namorada e não tinha beijo. Os mais ousados “roubavam” sua pretendente.
Com nossos pais havia uma obediência total, só o olhar deles chegava. Tínhamos que ter muito respeito com papai e mamãe.
Comemorávamos as festas de São João com pipoca, Amendoim, com fogueiras e todos os vizinho vinha festejar. Batíamos “surpresas” e festejávamos o natal e as festas tradicionais da igreja. Uma comemoração importante foi quando fizeram a escola e a igreja no Barro Preto.
O Barro Preto começou com a igreja católica _de madeira, com uma casa de comércio, igreja evangélica, uma serraria, olaria e um salão de baile. Os primeiros habitantes eram imigrantes alemães e italianos, eram as famílias Shivinki, Gacho, Räder, Govari... Naquele tempo o Barro Preto pertencia ao município de Ajuricaba.
Lembro-me que no dia 20 de agosto de 1965 caiu neve, tapando tudo com neve _achei que a casa ia cair _. Matou muita criação, pois as árvores caíam. A neve derreteu porque começou a chover.
Um grande acidente foi quando um ônibus da empresa Stadler que virou sobre o rio Faxinal onde morreram dezenove pessoas.
O tempo passou depressa, muitas coisas mudaram, hoje está muito diferente de antigamente, pois há tanta modernidade, tecnologia que quase não consigo acompanhar isso, mas vivo feliz com as lembranças da minha juventude.
Texto baseado na entrevista de uma senhora, hoje com 66 anos.
Gian Carlos Poleto, aluno do 8° ano.
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